O humor anda aleijado à liberdade de expressão

Assim como temperatura se mede por dilatação, dá pra quantificar a liberdade de expressão por meio do humor. Só que tem gente por aí mostrando que só quer equilíbrio térmico.

Rafinha Bastos não é um deles. Um expoente da comédia nacional, tem feito piadas consideradas (por alguns) de mau gosto. Foi classificado (não é exatamente a palavra correta, substitua por uma filhadaputamentenegativa para melhor compreensão) na Vejinha como “fora de tom“.

A mais recente foi ácida e deve ter atingido o ponto de vaporização, porque pode tirá-lo até do CQC.

Ah, mas o limite da liberdade de expressão está no bom senso!

E é aí que mora o perigo. Percebam porque caras como o Rafinha incomodam tanto: o controle está exatamente nesse leviano bom senso.

Tá certo que às vezes o mimimi de idolatria à cultura americana enche o saco, mas veja nesse vídeo que lá o conceito de PIADA é bem claro. Ninguém achou desrespeito aos dois ícones mundiais, nem os próprios que estavam sofrendo a brincadeira.

Não vou nem discutir se a piada sobre a Wanessa foi engraçada ou não, mas cabe a cada um com seu próprio humor decidir, seja ele ácido, sarcástico ou políticamente incorreto. Apoio o conceito de que a piada existe exatamente porque ela extrapola os limites da realidade, assim como um jogo violento qualquer.

Outra coisa, supondo que não sejam risadas forçadas, deu pra ouvir risadas altas do pessoal da platéia, inclusive dos colegas de bancada.

Acho que teve uma galera aí que perdeu as aulas de termometria no colégio, sem mais.

15 Respostas para O humor anda aleijado à liberdade de expressão


  1. @luallessi
    out 03, 2011

    Tenho achado duas coisas ultimamente: Que as pessoas andam usando a palavra hipocrisia pra defenderem suas ideias sem conhecerem o significado dela e que ‘liberdade de expressão’ virou justificativa de ‘humorista’ como era o ‘em nome da honra’ pra quem matava a mulher traidora.

    Em ambos os casos, me lembram o ‘perdoai-os, eles não sabem o que dizem’.


    • @murillo_melo
      out 05, 2011

      hi.po.cri.si.a
      sf (gr hypókrisis+ia1) Manifestação de fingidas virtudes, sentimentos bons, devoção religiosa, compaixão etc.; fingimento, falsidade. Eu acho o seguinte @Luallessi, a partir do momento que a Band suspende o Rafinha que fez uma piada óbvia, infeliz ou não (Quem ai acredita que ele comeria MESMO um bebê?) e NÃO FAZ NADA com o Bóris Casóy por exemplo, que expressou uma clara opinião discriminatória contra os lixeiros, ela está sendo hipócrita. Ponto final.


      • Guilherme Peternelli
        out 05, 2011

        EXATAMENTE.


  2. Eu
    out 03, 2011

    E você perdeu as aulas de Português no colégio!! “Mal gosto” não existe – o certo é “mau gosto”.


    • Guilherme Peternelli
      out 03, 2011

      Valeu pelo toque. É que diferente do pessoal do Ego, eu não costumo usar corretor ortográfico nos meus textos. Passou despercebido. Pelo menos foi só um.


  3. @luallessi
    out 03, 2011

    Tava aqui pensando…

    Bem, evidentemente eu não estava lá pra confirmar, mas acho que se os cristãos eram mesmo jogados aos leões como a gente vê nos filmes… E aqueles romanos se divertiam assistindo como num espetáculos… As risadas deles também não deviam ser forçadas.

    o que ajuda explicar porque esse humor duvidoso faz tanto e inegável sucesso…


  4. Mafe
    out 03, 2011

    em tempo: EU ODEIO A VEJA! RS


    • Guilherme Peternelli
      out 03, 2011

      Eu leio CartaCapital. :mrgreen:


  5. Kaoma Sorley
    out 04, 2011

    Olá meu amigo Guilherme…Pois veja mais um produto criado pela mídia que é execrável.Esse moço gosta de aparecer e achou que criando polêmica ia ao topo e conseguiu ser noticia. Por nste país qual quer babaca que se torne intelectual de @@@@@@ pode falar porcaria e ficar impune. Muito triste ver estes tipos se darem bem!!! Abraços fraternos.Kaoma


  6. Caio Alexandre
    out 05, 2011

    Rafinha Bastos falou o que queria e ouviu o que não queria. Injustas acusações da mídia, devo dizer. Todo mundo que conhece ou assiste o rapaz com determinada frequência vê que ele faz dezenas de piadas deste tipo durante seus minutos na TV.

    Além disso, não há motivos para afastá-lo da televisão. Ele vai continuar fazendo piadinhas para o público com seus DVDs e com as seus próprios perfis nas redes sociais. E “ganhando” pra isso, graças ao marketing feito, por exemplo, no Twitter dele.

    O CQC não será o mesmo sem ele. É como uma tradição, de 3 anos, não pode ser quebrada subitamente. Não que a Mônica Iozzi não tenha se saído bem, até achei ótima a atuação dela, mas não é assim que ele deve sair.


  7. Jonas
    out 05, 2011

    O ruim é você usar o escudo “meu humor é ácido” para tentar desfazer a merda depois que falou besteira.


  8. @murillo_melo
    out 05, 2011

    Não concordo com todo o alvoroço, mas acho que nesse caso nenhuma liberdade foi violada. O Rafinha fez o que quis. A Band fez o que quis. O mundo é assim, as pessoas fazem o que querem. Os motivos é que me incomodam… mas enfim.


  9. Mike
    out 09, 2011

    Não gosto do CQC, acho um humor que sempre repete o mesmo tipo de piada e não inova. São sempre as mesmas piadinhas de políticos e celebridades. Achei a piada do Rafinha de muito mau gosto, mas como disse Voltaire: Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las. É muito hipócrita não só a Band suspender o Rafinha, mas o Marco Luque (que riu na hora da piada) dizer em comunicado oficial que a piada foi “idiota e de mau gosto”. A liberdade de expressão deve ser defendida acima de tudo.

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